A inexorável força do amor que se traduz em missões


      Para surpresa de muitos críticos o movimento missionário protestante tão criticado, quando pesquisado seriamente, demonstrou ser a maior força criadora de democracias e estados mais justos do século XIX.
      Uma pesquisa detalhada que demorou mais de 14 anos para se completar, feita pelo persistente Robert Woodberry, virou a maior surpresa sociológica do ano de 2012, ao ser publicada no American Political Science Review, o periódico mais importante da categoria.
      Muitos amigos, até pastores e cristãos sérios no Brasil, tão assediados que são pela crítica constante e pelo pessimismo que substituiu a fé em muitos setores evangélicos brasileiros não acreditam mais que o cristianismo tenha poder de redenção social. Espero que esta pesquisa venha ajudá-los a mudar de ideia.
      Alguns cristãos como denunciei muitas vezes neste blog e na revista, se encarregam de destruir o cristianismo em nome de uma pseudo-honestidade cultural.  Em nome do que chamam de coerência sociopolítica, proclamam um evangelho politicamente correto que se acomoda aos modismos morais de agora. O evangelho pra ser “cool” tem que deixar de ser o que é.
      Eu chamo esta postura de covardia. É vergonha do evangelho ao contrário do que Paulo nos inspira a fazer.  O evangelho tem sim a suas arestas. Ele não se acomoda fácil à cultura humana, caída, que expressa nossa condição de pecadores, seja esta cultura o secularismo politicamente correto, ou uma cultura tribal.  O evangelho se choca, fere, raspa, lixa, incomoda, desonra o poder e os poderosos, empodera os coitados e zés-ninguéns, sem pedir licença ao sistema.
      Observe na pesquise de Woodberry, que os missionários que mais influenciaram a transformação social e política dos países onde estiveram não tinham consciência do papel que desempenharam. Não eram reformadores sociais per se, mas eram meramente evangelistas. Segundo a pesquisa, os missionários catequizadores, aqueles que condenamos porque se propuseram a “vergonhosamente” proclamar o evangelho da salvação chamando de pecado aquilo que era pecado, de barbárie o que era bárbaro, seja na cultura local ou no comportamento dos colonizadores, foram os que mais influenciaram a implantação de mecanismos que conduziram os países a democracia e justiça social. Se eles pudessem prever o futuro teriam feito apelos assim: “Aceite Jesus como seu salvador pessoal se queres criar uma nação mais justa para seus netos, bisnetos e tataranetos!”
      Mas não previram isto. Apenas obedeceram ao chamado de Cristo. Segundo os pesquisadores, apenas amaram o amor prático de Cristo, ensinando os pobres a ler, implantando escolas, estabelecendo hospitais, denunciando os abusos dos colonizadores.
      Como não se apaixonar por este evangelho?

Braulia Ribeiro

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