Jubilação – Rev. Romoaldo


    A despeito de nossas melhores intenções, também nos descobrimos, confusos diante de fatos de nossa vida. Não há boas intenções, preparação, planejamento, oração ou orientação de terceiros capazes de nos poupar desses encontros com a desorientação, o desapontamento conosco mesmos ou com os outros. Quando os velhos ancoradouros, que nos incutiam conforto, segurança e previsibilidade, nos são tirados... ficamos amedrontados ou nos considerando vítimas. Encerrar uma fase de vida produtiva pode ser até traumático. Perdemos nossa rotina diária; perdemos nosso porto-seguro.... enfrentamos a dureza de ter que reinventar a rotina de continuar a existência. Aposentadoria, jubilação podem ser fases doloridas em nossa vida porque perdemos nosso referencial profissional.
    Reinventar a vida depois de muito viver é para os fortes. Cair na mesmice do pijama, da auto piedade é muito fácil. Mas descobrir as ricas possibilidades da vida que nos resta após sairmos da ativa é uma questão de escolha. Não teremos mais lições da historia com as quais aprender.  Trazer nossa vida de volta depende de uma profunda convicção. Nessa fase da vida o desafio é descobrir o que realmente queremos e gostamos de fazer. É o momento de experimentarmos a harmonia de tudo que queremos com o que podemos. É muito bom descobrir possibilidades de realizar que nunca imaginávamos ter. Servir à vontade de Deus é uma questão de fé que vai determinar nossas escolhas. Vamos entender que somos seres que necessitam de relacionamentos  porque não somos únicos nem um ser sozinho. Ao longo de nossas vidas caminhamos para frente, em busca de realizações, sempre com pressa. Nesta fase de jubilação, continuamos a caminhar porém mais devagar e com metas selecionadas. Jubilação e aposentadoria são diferentes. Aposentadoria é ir para a inutilidade dos aposentos. Jubilação é estar livre da escravidão dos horários, na alegria da falta de cobrança de produção científica, na liberdade dos compromissos não escolhidos – é a intensa alegria!
   Para obtermos essa alegria é preciso atitudes. Sair de uma vida de trabalho para a ausência dele nos leva a pensar o que realmente o trabalho significa para nós e pensar nas possibilidades que a velhice (que nos oportuniza a jubilação) pode nos conceder de oportunidade. Só é jubilado quem atingiu o ápice profissional. Recebe a jubilação como prêmio pela dedicação, pela produção, pela vida que gastou no labor. É um merecido prêmio.
    Pensar no Romoaldo longe de suas atividades como mestre é fácil – muitos professores aposentam-se cansados, pois a profissão é extenuante. Agora pensar no Pastor Romoaldo longe de suas atividades pastorais é muito difícil porque sua vida se mescla com a vida da Igreja. Suas lutas, suas dificuldades, suas vitorias foram permeadas de sofrimento, mas também de muita confiança  naquele que o chamou para o Pastoreio – o Senhor dos Senhores, Deus Eterno.
    O Chamado que recebeu foi real e verdadeiramente aceito e cumprido com humildade, fidelidade e reverencia. Essas características marcam a sua vida pastoral. Conquistou suas ovelhas pelo exemplo, pela sabedoria, pela compreensão da fragilidade humana. Amou, foi e é muito amado. Ele aceitou a unção como diz Isaias 61-1 “O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados”.
      A IPB ao conferir o título de Jubilação mostra conhecimento e reconhecimento da vida pastoral do agraciado com o título, lembrando que tal exemplo fica marcado na historia da Igreja. Sua historia de vida, escrita em boa parte aqui na IPB de Florianópolis, enobrece esta comunidade onde com sua dedicação granjeou irmãos/amigos. Que Deus dê muita vida, força para continuar na meta, que é de todo cristão, pregar a Verdade e a sua Justiça, através de suas atividades e criações.
      Ao parabeniza-lo pelo merecido reconhecimento de seu trabalho pastoral, oramos para que o seu andar seja sempre exemplar e irrepreensível. – Como está escrito: “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” Romanos 10.15b “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” Is. 52:7.
       Agradeço por sua dedicação pastoral à minha família. 

Abraço, Else Luiza Rausch

Nenhum comentário:

Postar um comentário