Lutero e a Música – Paradigmas de Louvor



Qualquer estudo sobre o culto e a música na Igreja Luterana do século 16 deverá considerar o papel direto e preponderante de Lutero em seu desenvolvimento. Lutero foi importante não somente por ser o ponto central de um novo movimento teológico; foi também o centro de um novo movimento musical, que influenciaria profundamente a igreja que viria a levar seu nome.
Paul Henry Lang apontou, já há cinquenta anos, que Lutero pode ter sido ou deixado de ser qualquer coisa, mas não foi um diletante em música.
“No centro do novo movimento musical que acompanhou a Reforma, encontra-se a proeminente figura de Martim Lutero. Ele ocupa essa posição não por causa de seu papel de liderança no movimento protestante, e nada é mais injusto do que considerá-lo como uma espécie de entusiástico e bem-intencionado diletante. O derradeiro destino da música protestante alemã dependeu deste homem, o qual, em seu tempo de estudante na cidade de Eisenach, cantando todos os tipos de canções juvenis, e como sacerdote familiarizado com o gradual e as missas polifônicas e motetos, vivia com música soando em seus ouvidos”. (LANG, 1941)
Quer seja em tempos de suprema alegria ou de profunda dor, sublime felicidade ou amargo desespero, Lutero viveu de fato “com música soando em seus ouvidos”. Esse aspecto de sua vida e experiência moldaria de forma muito significativa o futuro da música na vida e no culto de adoração a Deus do luteranismo do século 16.
Martim Lutero (1483-1546), o maior dos reformadores do século 16, foi o único entre os reformadores de seu tempo a defender a música como uma maravilhosa dádiva de Deus a ser usada no louvor e na pregação da sua palavra. Dentre todos os reformadores protestantes de seu tempo, somente Martim Lutero recomendou sem hesitar o uso da música no fomento da vida cristã e no culto da igreja.
“A música é uma esplêndida dádiva de Deus e eu gostaria de exaltá-la com todo o meu coração e recomendá-la a todos. Mas eu estou tão dominado pela diversidade e magnitude de suas virtudes e benefícios que (...), por mais que eu queira exaltá-la, minha exaltação será insuficiente e inadequada (...). Se queres confortar os tristes aterrorizar os felizes, encorajar os desesperados, tornar humilde os orgulhosos, acalmar os inquietos ou tranquilizar os que estão tomados por ódio (...) que meio mais efetivo do que a música poderias encontrar? ”

(Trecho da Introdução do livro Lutero e a Música – Paradigmas de Louvor, de Carl F. Schalk, ed. Sinodal, 2006.)

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