Que tipo de cristianismo é o nosso?



O que nos mantém no caminho da religião?  Será a tradição familiar, o interesse em bênçãos materiais, o medo e o consequente anseio por uma proteção mágica, o não ter outra opção melhor, o desejo de estar num grupo onde se possa ter a primazia sobre outras pessoas, etc.?
Em seu livro “Sapiens - Uma breve história da humanidade”, Yuval Noah Harari escreve: “A história da ética é um conto triste de ideias maravilhosas que ninguém consegue colocar em prática. A maioria dos cristãos não imitou a Cristo, a maioria dos budistas não conseguiu seguir os passos de Buda, e a maioria dos confucianos teria causado um ataque de nervos a Confúcio. Já a maioria das pessoas hoje consegue viver de acordo com o ideal capitalista-consumista. A nova ética promete o paraíso sob a condição de que os ricos continuem gananciosos e dediquem seu tempo a ganhar mais dinheiro e as massas deem rédea solta a seus desejos e paixões e comprem cada vez mais. Essa é a primeira religião cujos seguidores realmente fazem o que se espera que façam”.
Faz sentido a crítica do historiador Harari? Eu creio que sim. Por isso, é muito importante que nós, cristãos, saibamos qual a nossa motivação para estar nesse caminho religioso. Vamos recorrer às palavras do próprio Cristo: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos...Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra”. (Jo.14:15,23)
A nossa maior e insubstituível motivação religiosa é o amor a Deus e a consequente obediência aos seus mandamentos. E é bom que se diga que esse princípio já está presente no velho testamento: “Amem o Senhor, o seu Deus e obedeçam sempre aos seus preceitos, aos seus decretos, às suas ordenanças e aos seus mandamentos”. (Dt.11:1)
Amar e obedecer, esse é o binômio da fé cristã. Mas será que essa coisa de mandamentos não fere a liberdade humana? O filósofo Luiz Felipe Pondé, ao comentar o quarto mandamento, sobre honrar pai e mãe, em seu livro ”Os dez mandamentos (+ um)” escreve: “Quando jovens concluem que os pais não merecem respeito a priori, o impacto dessa decisão  se reflete na dificuldade de se estabelecer estruturas familiares que permitam a humanização e a civilização”.
O nosso cristianismo pressupõe a ética do amor, que deve nos levar a amar a Deus acima de todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos.


Pr. Joel

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