Salmos - a “Minibíblia”


Por ser uma coletânea de orações, poemas e hinos, de vários autores, escritos ao longo da história de Israel, do êxodo ao cativeiro babilônico, os Salmos são o mais antigo e mais usado hinário e livro de orações da história religiosa. Estão encaixados entre os chamados livros poéticos do Antigo Testamento (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos). É o livro mais querido e mais lido pela maior parte dos cristãos, principalmente porque descreve o relacionamento bem próximo da criatura humana com o Senhor. Os autores dos salmos são seres humanos, complicados, chorosos, emocionalmente instáveis, acentuadamente frágeis frente à tristeza, à melancolia, ao saudosismo, à dor, à doença, à morte e ao pecado. Todos estão atrás de um ombro para chorar, de um ouvido para ouvir e de duas mãos postas para abençoar. Todos sabem que há um Deus gracioso, glorioso, todo-poderoso, misericordioso para enxergar e enxugar lágrimas.
Atanásio, no século 3º, dizia que os Salmos são “um epítome de todas as Escrituras”. O monge Basílio Magno, no século 4º, dizia que os Salmos são “um compêndio de toda a teologia”. Lutero, no século 16, dizia que os Salmos são “uma Minibíblia e o sumário do Antigo Testamento”. Melanchthon, na mesma época, dizia que os Salmos são “a mais elegante obra existente no mundo”.
Em sua dedicatória do Comentário dos Salmos, de quatro grandes volumes, escrito em Genebra em 1557, o reformador francês João Calvino afirma que os Salmos são “a anatomia de todas as partes da alma”. O que ele quer dizer é que, no livro dos Salmos, “o Espírito extirpa da vida todas as tristezas, as dores, os temores, as dúvidas, as expectativas, as preocupações, as perplexidades, enfim todas as emoções perturbadoras com que a mente humana se agita” (“Salmos”, v. 1, p. 27).
Os vocativos “Ó Deus” ou “Ó Senhor” ou “Ó Altíssimo” ou “Ó Salvador” aparecem no mínimo 367 vezes nas orações e nos cânticos contidos no livro dos Salmos (uma vez para cada dia do ano). Em algumas invocações, os salmistas incluem o pronome possessivo: “Ó “meu” Deus” ou “Ó Senhor, “meu” Salvador”. Essas palavras invocando a atenção de Deus aparecem no primeiro versículo de setenta dos 150 salmos. Só no Salmo 119, o maior de todos, a ocorrência é de 31 vezes.
Os Salmos chamam a nossa atenção para o grande perigo do desperdício de Deus! Pois quem não grita “Ó Senhor”, quantas vezes forem necessárias, desperdiça aquilo que tem de mais precioso!

Extraído da Revista Ultimato – Edição 351 - Nov/Dez - 2014

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