A adoração na igreja viva (Parte I)

Em seu livro A Igreja Autêntica (Ultimato/ABU), John Stott diz sonhar com uma igreja viva: uma igreja bíblica, adoradora, acolhedora, que serve e que espera pelo Senhor. Curiosamente, associa vida a autenticidade, como se fossem gêmeas. De fato, a igreja viva é também autêntica, e vice-versa. Sem hierarquizar esses "sinais de vida", Stott dedica atenção a cada um desses sinais, separadamente.
Incentivado por ele, gostaria de refletir sobre aspectos da adoração nessa igreja viva. E já inicio concordando com ele sobre o caráter bíblico da verdadeira adoração, lembrando que não são poucas, nos evangelhos e nas cartas, as recomendações sobre a ordem no culto, o falar de si para si mesmo, as orações vazias e repetitivas, e tantas outras máculas à autenticidade das celebrações.
Buscamos, então, em todas essas recomendações, algumas lições que podem nos ajudar a melhor conduzir a adoração na igreja.

A razão da adoração
A adoração surge da gratidão. Diferentemente do medo ou do interesse, presentes no costume pagão, em que todos os atos se destinam a aplacar a ira da divindade ou dela obter alguma vantagem, a adoração em uma igreja viva provém de uma disposição do coração, que se harmoniza, afetuosamente, com o que Deus é e faz, "com cânticos e ações de graça". Dessa harmonia surgem as expressões de louvor; a moldar os ritos e as liturgias, em todas as suas cores.


O destinatário da adoração

Em uma igreja autêntica, a adoração tem como destinatário o próprio Deus. Claro que considera aspectos eclesiásticos, como conforto, organização, horários, homilética, etc. Mas não se mede em decibéis, em opinião pública e coisas assim. Não se destina a agradar ao auditório, mas a Deus. A expressão "não gostei deste culto" pode revelar esse equívoco.
Mais que isso, o destinatário da adoração bíblica é um Deus bom. Um Deus a ser servido por amor, acima de tudo, como quem responde ao seu chamado amoroso: "filho meu, dá-me o teu coração".

Os âmbitos da adoração
Íntimo e público. Pode começar na intimidade do quarto, da madrugada, da solitude e se estender ao culto público; ou, em sentido inverso, ter seu despertar no sentar à mesa, no cântico congregacional, no compartilhamento, na meditação sobre a Palavra; impressões que, recolhidas, serão "metabolizadas" no momento solitário com Deus. De todo modo, qualquer que seja o sentido em que a experiência pessoal ocorra, é importante pensar que os dois âmbitos são complementares e necessários. Não se deve pensar que o encontro na solitude é bastante; nem imaginar que o banquete público preenche todas as necessidades da alma. O caminhar de um espaço para o outro é salutar.
Rubem Amorese

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