Desconsolos da Vida

 Por que será que todas as vezes que somos surpreendidos por uma notícia que nos assusta ou nos causa impacto dizemos: “Como pode isso?”, “porque assim?”. Sim! É da natureza humana temer o incômodo. Nossa humanidade persiste em afastar, o máximo possível, os desconsolos ou até mesmo a possibilidade de tê-los.
Dia desses assistia na TV uma entrevista com uma médica psiquiatra que falava sobre o uso indiscriminado de ansiolíticos na atualidade. Dizia ela que muitas pessoas querem, de todas as formas, aliviar qualquer pequeno desconforto e com isso recorrem, com frequência aos remédios que aparentemente diminuem, não os problemas, mas a percepção deles.
Disse a entrevistada que cada caso é um caso, e todos precisam de atenção e cuidados únicos, mas que em muitas situações é preciso entender que “os desconfortos fazem parte da vida”, e quem sabe seja isso mesmo, aprender a administrar os problemas e não, necessariamente, evadir deles!
Outro fato é que muitas situações vividas e experimentadas por nós poderão ser modificadas e outras com certeza deverão ser aceitas por não se poder mudar.
O teólogo estadunidense Reinhold Niebuhr, afirmou que ele desejava que o Senhor concedesse a ele “serenidade necessária para aceitar as coisas que não se pode modificar, coragem para modificar aquelas que se pode e sabedoria para distinguir umas das outras”.
Eis aí uma simples oração, talvez até um pouco óbvia, mas tão necessária para os nossos dias e ao mesmo tempo tão difícil de ser praticada e lembrada diante das dificuldades.
Jesus em seu ministério consolou seus ouvintes dizendo: "No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem! Eu venci o mundo" - João 16.33, quer dizer, ele não eximiu seus seguidores dos percalços, das lutas e reveses. Será que Jesus teria dito o que muitos pregadores oportunistas têm espalhado nos dias de hoje: “venham a mim e seus problemas se acabarão”? Certamente não. Não, esse não era o discurso de Jesus, mas de encorajamento diante das lutas.
Serenidade para aceitar. Coragem para mudar e ir em frente. Está aí o desafio e o caminho. Essa deve ser a nossa estrada e a nossa súplica deve ser para que Deus nos fortaleça e sustente durante todo o trajeto.

Rev. Matheus Felipe Santiago

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