A tentativa frustrada da autonomia



 “E dessa tentativa sem esperança procede quase tudo o que chamamos a história humana; dinheiro, pobreza, ambição, guerra, prostituição, classes, impérios, escravidão, a longa e terrível história do homem procurando achar algo que não seja Deus e o faça feliz.
A razão por que falhará essa tentativa é a seguinte. Deus nos criou: inventou-nos como um homem inventa um mecanismo. Um automóvel é feito para ser movido a gasolina e não poderia andar bem de outro modo. Pois bem, Deus destinou a máquina humana a ser movida à base de Deus mesmo. Ele mesmo é o combustível que os nossos espíritos devem queimar, ou o alimento de que os nossos espíritos se devem nutrir. Não há outro. Eis a razão por que não adianta pedir a Deus que nos faça felizes de nosso próprio modo sem nos preocuparmos com religião. Deus não nos pode dar uma felicidade e paz independentes de si mesmo, porque não existem. Realmente, não existe tal coisa.
É essa a chave da história humana. Gasta-se uma energia espantosa, constroem-se civilizações, idealizam-se excelentes instituições, porém todas as vezes alguma coisa enguiça. Como que por uma fatalidade, indivíduos egoístas e maus alcançam o poder – e a coisa toda desmorona em miséria e ruína. A máquina não anda. Parece dar a partida direitinho, anda alguns metros – e então fica na estrada. É que estão procurando fazê-la funcionar com combustível errado.”

                                                              C.S. Lewis  (A razão do cristianismo)
                                                               Autor de “As crônicas de Nárnia”

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