Desenvolvimento pessoal ou comodismo religioso


Em nossa caminhada cristã sempre estamos expostos ao perigo da superficialidade no relacionamento com Deus. Essa superficialidade é manifestada numa religiosidade separada de crescimento individual na fé e de um desenvolvimento de uma comunhão com Deus que provém da vivência dessa fé.
Assim, vivemos um conflito constante na maneira como nos relacionamos com Deus: um relacionamento pessoal de amizade e intimidade, ou uma experiência religiosa mecânica, desprovida de afetividade e comunhão real.
      Muitos cristãos participam da igreja apenas porque, de uma certa maneira, foram "condicionados culturalmente" à frequência religiosa. É o caso, muitas vezes, de filhos e netos de cristãos, cujos pais e avós os ensinaram a "ir à igreja todo domingo", e cuja relação com Deus reduz-se ao costume religioso.
É o caso, também, outras vezes, de pessoas que tiveram uma genuína experiência de conversão, mas tal experiência acabou não tendo uma continuidade que culminasse em fortalecimento e solidificação de uma relação com Deus que fosse além da primeira experiência.
Em ambos os casos, o indivíduo passa a ser apenas um frequentador da igreja, um simpatizante do evangelho, o que acaba reduzindo a sua fé a uma prática religiosa. A base de sua fé passa a ser estabelecida a partir dos rituais, das tradições, das regras denominacionais, do cumprimento de leis, ou de qualquer outra manifestação que tenha ligação com o âmbito religioso e litúrgico.
Apesar de tais elementos estarem presentes muitas vezes na vida do cristão, e em determinados contextos podem ter sua importância ou relevância, eles não constituem o fundamento da experiência cristã.
E aqui chegamos ao ponto central: a base de nossa fé é a relação pessoal com Deus, o desenvolvimento de uma relação de intimidade e amizade com o Criador. É compreender que Deus é mais que uma força, uma energia, um ídolo, uma ideia. Deus é alguém que deseja estabelecer um relacionamento com cada homem e mulher, fundamentado no amor, no companheirismo, na afetividade, na amizade. É assim que vemos em toda a parte nas Escrituras esse desejo de Deus sendo manifestado: Deus relacionando-se com as pessoas.
          O Cristianismo, vivido apenas como uma religião, não proporciona mudanças, nem crescimento espiritual, nem amadurecimento emocional no indivíduo. É conhecendo a Deus, e deixando-se ser conhecido por Ele, que vamos experimentando a dimensão relacional da comunhão plena com Deus.
           Amarás, pois, o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força.
João David C. Mendonça

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