A inexorável força do amor que se traduz em missões


      Para surpresa de muitos críticos o movimento missionário protestante tão criticado, quando pesquisado seriamente, demonstrou ser a maior força criadora de democracias e estados mais justos do século XIX.
      Uma pesquisa detalhada que demorou mais de 14 anos para se completar, feita pelo persistente Robert Woodberry, virou a maior surpresa sociológica do ano de 2012, ao ser publicada no American Political Science Review, o periódico mais importante da categoria.
      Muitos amigos, até pastores e cristãos sérios no Brasil, tão assediados que são pela crítica constante e pelo pessimismo que substituiu a fé em muitos setores evangélicos brasileiros não acreditam mais que o cristianismo tenha poder de redenção social. Espero que esta pesquisa venha ajudá-los a mudar de ideia.
      Alguns cristãos como denunciei muitas vezes neste blog e na revista, se encarregam de destruir o cristianismo em nome de uma pseudo-honestidade cultural.  Em nome do que chamam de coerência sociopolítica, proclamam um evangelho politicamente correto que se acomoda aos modismos morais de agora. O evangelho pra ser “cool” tem que deixar de ser o que é.
      Eu chamo esta postura de covardia. É vergonha do evangelho ao contrário do que Paulo nos inspira a fazer.  O evangelho tem sim a suas arestas. Ele não se acomoda fácil à cultura humana, caída, que expressa nossa condição de pecadores, seja esta cultura o secularismo politicamente correto, ou uma cultura tribal.  O evangelho se choca, fere, raspa, lixa, incomoda, desonra o poder e os poderosos, empodera os coitados e zés-ninguéns, sem pedir licença ao sistema.
      Observe na pesquise de Woodberry, que os missionários que mais influenciaram a transformação social e política dos países onde estiveram não tinham consciência do papel que desempenharam. Não eram reformadores sociais per se, mas eram meramente evangelistas. Segundo a pesquisa, os missionários catequizadores, aqueles que condenamos porque se propuseram a “vergonhosamente” proclamar o evangelho da salvação chamando de pecado aquilo que era pecado, de barbárie o que era bárbaro, seja na cultura local ou no comportamento dos colonizadores, foram os que mais influenciaram a implantação de mecanismos que conduziram os países a democracia e justiça social. Se eles pudessem prever o futuro teriam feito apelos assim: “Aceite Jesus como seu salvador pessoal se queres criar uma nação mais justa para seus netos, bisnetos e tataranetos!”
      Mas não previram isto. Apenas obedeceram ao chamado de Cristo. Segundo os pesquisadores, apenas amaram o amor prático de Cristo, ensinando os pobres a ler, implantando escolas, estabelecendo hospitais, denunciando os abusos dos colonizadores.
      Como não se apaixonar por este evangelho?

Braulia Ribeiro

Intercessão

Vamos interceder em oração pelas seguintes pessoas (atualizada até 31/07/2015):

Mauro Caldeira de Andrada, Huri Gomes Mendonça, Marco Aurélio C. Pereira, Valmíria Macedo Lisboa, Tatiane (filha de amiga da Beth), Maria Clésia Antunes (amiga de Inês Hartt), Graça Fernandes, Neusa Mendonça, Pr. Paulo Solonca, Gabriel (filho de amigo do Deodoro), Joel Guimarães, Rafael Bianchini (sobrinho do Moacir), Zilda Cavallazzi, Lauro Ribas Zimmer, Henrique Rios Martins e Rev. Otávio.

“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo”. (Tg. 5:16)

Conhecimento e Amor



  O conhecimento deve conduzir ao amor. Quanto mais sabemos, mais devemos compartilhar do que sabemos com os outros e usar o nosso conhecimento em serviço a eles, seja na evangelização, seja no ministério.
    Às vezes, porém, nosso amor poderá moderar o nosso conhecimento. Pois o conhecimento em si pode ser ríspido; é-lhe necessário Ter a sensibilidade que o amor lhe pode dar.
   Foi isso o que Paulo quis dizer quando escreveu: “O saber ensoberbece, mas o amor edifica”. O “senhor do saber” de quem ele fala é o cristão instruído, sabedor de que há um só Deus, de que os ídolos nada são, e que, portanto não há razão teológica alguma pela qual não deva comer uma comida que fora anteriormente oferecida a ídolos.
   Entretanto, pode haver um motivo de ordem prática para dela se abster. É que alguns cristãos não têm tal conhecimento e, em consequência, suas consciências são “fracas”, ou seja, não instruídas e excessivamente escrupulosas. Anteriormente eles próprios haviam sido idólatras. E, mesmo depois de sua conversão, acham que, em sã consciência, não podem comer tais carnes.
   Estando com eles, então, Paulo argumenta: o cristão “forte” ou instruído deve abster-se para não ofender a consciência “fraca” de seus irmãos. Ele mesmo tem a liberdade de consciência para comer. Porém o seu amor limita a liberdade que o conhecimento lhe dá. Talvez seja contra tais circunstâncias que Paulo chega a dizer, em alguns capítulos adiante: “Ainda que eu ... conheça todos os mistérios e toda ciência ... se não tiver amor, nada serei”.


John Stott

Jubilação – Rev. Romoaldo


    A despeito de nossas melhores intenções, também nos descobrimos, confusos diante de fatos de nossa vida. Não há boas intenções, preparação, planejamento, oração ou orientação de terceiros capazes de nos poupar desses encontros com a desorientação, o desapontamento conosco mesmos ou com os outros. Quando os velhos ancoradouros, que nos incutiam conforto, segurança e previsibilidade, nos são tirados... ficamos amedrontados ou nos considerando vítimas. Encerrar uma fase de vida produtiva pode ser até traumático. Perdemos nossa rotina diária; perdemos nosso porto-seguro.... enfrentamos a dureza de ter que reinventar a rotina de continuar a existência. Aposentadoria, jubilação podem ser fases doloridas em nossa vida porque perdemos nosso referencial profissional.
    Reinventar a vida depois de muito viver é para os fortes. Cair na mesmice do pijama, da auto piedade é muito fácil. Mas descobrir as ricas possibilidades da vida que nos resta após sairmos da ativa é uma questão de escolha. Não teremos mais lições da historia com as quais aprender.  Trazer nossa vida de volta depende de uma profunda convicção. Nessa fase da vida o desafio é descobrir o que realmente queremos e gostamos de fazer. É o momento de experimentarmos a harmonia de tudo que queremos com o que podemos. É muito bom descobrir possibilidades de realizar que nunca imaginávamos ter. Servir à vontade de Deus é uma questão de fé que vai determinar nossas escolhas. Vamos entender que somos seres que necessitam de relacionamentos  porque não somos únicos nem um ser sozinho. Ao longo de nossas vidas caminhamos para frente, em busca de realizações, sempre com pressa. Nesta fase de jubilação, continuamos a caminhar porém mais devagar e com metas selecionadas. Jubilação e aposentadoria são diferentes. Aposentadoria é ir para a inutilidade dos aposentos. Jubilação é estar livre da escravidão dos horários, na alegria da falta de cobrança de produção científica, na liberdade dos compromissos não escolhidos – é a intensa alegria!
   Para obtermos essa alegria é preciso atitudes. Sair de uma vida de trabalho para a ausência dele nos leva a pensar o que realmente o trabalho significa para nós e pensar nas possibilidades que a velhice (que nos oportuniza a jubilação) pode nos conceder de oportunidade. Só é jubilado quem atingiu o ápice profissional. Recebe a jubilação como prêmio pela dedicação, pela produção, pela vida que gastou no labor. É um merecido prêmio.
    Pensar no Romoaldo longe de suas atividades como mestre é fácil – muitos professores aposentam-se cansados, pois a profissão é extenuante. Agora pensar no Pastor Romoaldo longe de suas atividades pastorais é muito difícil porque sua vida se mescla com a vida da Igreja. Suas lutas, suas dificuldades, suas vitorias foram permeadas de sofrimento, mas também de muita confiança  naquele que o chamou para o Pastoreio – o Senhor dos Senhores, Deus Eterno.
    O Chamado que recebeu foi real e verdadeiramente aceito e cumprido com humildade, fidelidade e reverencia. Essas características marcam a sua vida pastoral. Conquistou suas ovelhas pelo exemplo, pela sabedoria, pela compreensão da fragilidade humana. Amou, foi e é muito amado. Ele aceitou a unção como diz Isaias 61-1 “O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados”.
      A IPB ao conferir o título de Jubilação mostra conhecimento e reconhecimento da vida pastoral do agraciado com o título, lembrando que tal exemplo fica marcado na historia da Igreja. Sua historia de vida, escrita em boa parte aqui na IPB de Florianópolis, enobrece esta comunidade onde com sua dedicação granjeou irmãos/amigos. Que Deus dê muita vida, força para continuar na meta, que é de todo cristão, pregar a Verdade e a sua Justiça, através de suas atividades e criações.
      Ao parabeniza-lo pelo merecido reconhecimento de seu trabalho pastoral, oramos para que o seu andar seja sempre exemplar e irrepreensível. – Como está escrito: “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” Romanos 10.15b “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” Is. 52:7.
       Agradeço por sua dedicação pastoral à minha família. 

Abraço, Else Luiza Rausch

Painel - "Vocação - O chamado de Deus para nossa vida"



Pai, que amor é este?


Pai, que amor é este que sentes por mim?
Qual é o segredo para amar tanto assim?
Tento entender este amor e não acho jeito
Insisto em explicá-lo, mas não sei direito
Pois o teu amor é tão complexo, é diferente
É o amor que não se explica, apenas sente...
Pai, que amor é este? Conta-me com carinho
Sobre este amor que nunca me deixa sozinho
Que nos desalentos e nas aflições desta vida
Vem ao meu encontro com a mão estendida
Que na hora mais difícil, na minha indecisão
Como uma bússola, posso sentir teu amor
Apontando o caminho que me faz vencedor
E quando estou só, à procura de um amigo
Nos teus braços encontro o meu abrigo
E na tua sabedoria a palavra mais certa
Onde eu posso ver uma porta sempre aberta
E com segurança, eu posso por ela entrar...
Pai, que amor é este? Conta-me paizinho querido!
Fala deste amor, que às vezes chora escondido
Que mesmo a distancia, parece estar presente
E me torna especial no meio de tanta gente...
Pai, que amor é este? Eu só poderei entendê-lo
Olhando para o calvário, para o amor modelo
Onde por amor, Cristo se deu pela humanidade
Ali eu encontro a explicação e a verdade
O teu amor é uma fagulha do amor de Cristo
É ele que ascende dentro de ti e de mim
A chama do amor, que jamais terá fim...


Norma Penido

Parece, mas não é!

            Há textos estranhos nas escrituras sagradas. Que pairam sobre nós, qual espada de Dâmocles, como um desafio e uma advertência. Conclamam-nos à sabedoria e à admissão de nossa incompetência como juízes.
            Os textos abaixo, por exemplo, poderiam ser classificados de: parece, mas não é!
            I Co 3.15: “Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo, todavia, como que pelo fogo.” Aqui o foco é o ministério, não a pessoa.
            Paulo fala de um ministro que parece ser joio, mas não é.
            Fala de ministros que edificam, ainda que sobre o fundamento certo, com madeira, palha e feno, elementos que o fogo da história facilmente destrói.
Madeira, palha e feno são os elementos fornecidos pela sabedoria humana, vs. 19 e 20. É ensino que gera divisão, perda da consciência de corpo e da natureza da fé. O ensino vira corrente filosófica e o dogma ideologia.
            Ou leva a Igreja da fé para as obras, da graça para o mérito, da devoção para a mágica, de Deus para o ser humano, transformando este em semideus. O ministro é um falso mestre, mas será salvo. O ensino dele será condenado, mas ele não. Gente que será salva, mas não vive como discípulo.
            A gente deve reprovar os seus ensinos, mas não deve fazer considerações sobre a sua salvação.
            Hb 6.4-8: “Porque é impossível que os que, uma vez, foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério. Pois a terra que embebe a chuva, que cai muitas vezes sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção da parte de Deus; mas se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.”.
            Nesse texto, o foco é a pessoa e não o ministério. O escritor fala de uma pessoa que parecia ser discípulo, mas não era. Tudo parecia bem com ela, mas um dia ela caiu.
            Cair não é um problema insolúvel, porém, essa pessoa não encontrou o caminho do arrependimento. E isso aparece nos frutos que ela passou a produzir.
            Tal como uma terra, que apesar de ser regada e lavrada muitas vezes, apenas consegue produzir espinhos e abrolhos.  O seu fim é a rejeição!
            Portanto, a questão aqui, não é a queda, em si, mas no que a pessoa, que caiu se tornou.
            Seus frutos indicam que o caminho do arrependimento não foi abraçado. Ela tornou-se agente do mal.
            A gente não tem autoridade para emitir qualquer juízo, mas não custa nada discernir e ficar esperto!

Pr. Ariovaldo Ramos

Escola Dominical - 2015 - 2º Semestre




      Dia 02 de agosto, retomamos os nossos cursos da Escola Dominical, sendo que não teremos mais a aula inaugural, iniciando o currículo já na primeira aula. Veja abaixo os temas e professores de cada classe:

Departamento de Adultos
1.  Curso: A Terra Prometida e o Reino de Deus
Profs. Edson Martins; Osvaldo Hack, no Templo.
2.  Curso: Como ser um Cristão Contemporâneo
Profs. Joel e Lailton, no Salão Social.
3.  Curso: A Vida Passada a Limpo
Profs. Terushi e Luciano Hack, na sala 1 da quadra.
4.  Classe dos Adolescentes: Território Teen–Triunfando sobre as fraquezas
Profas. Rosângela Oliveira e Beatriz Faustini, na sala 2 da quadra.
5.  Classe dos Pré- Adolescentes: Território Teen - Creio. E daí?
Prof. Acyr Passos, na sala 4 da quadra.

Departamento Infantil
     Diretora: Lívia Pacheco; Vice Diretora: Fernanda P. Cavallazzi; Secretária: Lucila Bethania de S. Alosilla.
1.  Classe Moisés: 0 a 2 anos - Tema: Deus ama
Profas.: Fernanda P. Cavallazzi, Cristina S. Schreiber Oliveira e Ana Maria R. Martins
2.  Classe Daniel: 2 a 3 anos - Tema: Deus cuida de mim
Profas.: Mariah Pereira e Graziele Dias de Oliveira Lehmkuhl
3.  Classe Davi: 4 a 6 anos - Tema: Do Egito à Terra Prometida
Profas.: Leda Xavier e Ana Luíza Zimmer
4.  Classe Samuel: 7 a 9 anos - Tema: Profetas de Deus
Profas.: Lívia Pacheco e Thaís Cavallazzi dos Santos

Acessibilidade


            Após o encerramento da assembleia do último dia 4 de julho, na qual foi aprovada por unanimidade a execução do projeto de acessibilidade, elaborado pela comissão de obras, alguém fez o seguinte comentário: “...essa assembleia foi um bom culto”.
            Sem dúvida, aquele irmão foi muito feliz em fazer aquele tipo de observação, pois além das questões técnicas e administrativas, a assembleia também viveu momentos de alegria, de admiração e gratidão pelo excelente trabalho da comissão, e de uma gostosa espiritualidade.
            Agora, é o momento de nos defrontarmos com a realidade dos números. Temos 15 meses, já contando com julho, para arrecadar os recursos necessários que possibilitarão a concretização dessa importantíssima obra. No final de dezembro, e nos meses de janeiro e fevereiro, os trabalhos no local onde ficará a torre do elevador precisam começar. E se tudo der certo, é possível que em agosto de 2016 a obra seja inaugurada.
            Quando falamos de acessibilidade, não estamos apenas tratando de uma “batalha contra degraus” onde atacamos com rampas e elevador, mas também estamos tratando de acolhimento aos idosos e pessoas em situação de deficiência. A igreja, enquanto espaço físico de culto e de encontro, se tornará viável para todos em todas as suas dependências.
            O lema de nossa igreja, que está todos os domingos em nosso boletim acima da data de organização, é “Acolhei-vos uns aos outros” (Rm.15:7). A concretização desse projeto possibilitará o acolhimento físico, mas que não pode prescindir de um outro tipo, que é o acolhimento afetivo. As pessoas precisam ter acesso a lugares onde sejam valorizadas e amadas simplesmente por aquilo que são, e jamais pelo que tem ou pelo que fazem. Os nossos corações também precisam estar acessíveis.
            Nosso exemplo maior, como sempre, é Jesus: “Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus”. (Rm.15:7)
            “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus”. (Rm.5:1,2).

Rev. Joel Vieira da Silva

Igreja Que Não Ora


            O reverendo Augustus Nicodemus Lopes publicou um desabafo sobre a falta de participação dos fiéis em reuniões de oração, e observou que “uma Igreja que não ora está fadada a ver a prevalência do carnal e do humano no caldeirão de tensões” que é uma comunidade de fé.
            Lopes, que é pastor presbiteriano, admitiu que escreveu o texto “muitos anos atrás depois de regressar de uma reunião de oração”, mas que acredita que a realidade não mudou: “Acho que ainda tem relevância”.
            No texto, o reverendo diz que numa dessas reuniões, encontrou apenas dois membros na igreja, e isso o frustrou: “Senti-me desamparado”. A importância das reuniões de oração é enorme, segundo Lopes, e influencia diretamente na maneira como o pastor conduz a igreja e ministra a Palavra.
            “Estou perfeitamente consciente de que sem as orações da Igreja meu preparo intelectual, meus dons e habilidades de liderar e pregar e ensinar não valem absolutamente nada. Já aprendi em minha própria vida que quando deixo de orar e buscar a Deus regularmente o meu coração endurece, a incredulidade cresce, o velho homem parece ressuscitar dentro de mim, perco a visão, a sensibilidade, a percepção espiritual das coisas. Torno-me um mero pastor guiado pela sabedoria e energia humana. Por uns instantes fiquei com inveja de [Charles] Spurgeon, que costumava gloriar-se do fato que, quando pregava, havia um grupo de mais de cem pessoas da sua Igreja reunidas numa sala ao lado do templo, intercedendo por ele em oração fervorosa. Senti-me só”, lamentou, mencionando o pregador britânico batista reformado.
            As tribulações cotidianas não foram ignoradas por Lopes, que disse compreender a rotina de compromissos diversos e dificuldades que limitam a presença dos membros nas reuniões de oração: “Não quis ser injusto com os membros da minha Igreja. Há muitos jovens que estudam à noite, há outros que trabalham à noite. Há os idosos que não têm mais como sair de casa à noite. Há os que moram longe e dependem de outros para transporte. Há os doentes. Mas, mesmo assim, numa comunidade de cerca de seiscentas pessoas, somente dez a doze delas estaria realmente disponível e com condição de vir à Igreja orar numa terça a noite?”, questionou.
            O desabafo de Lopes revela que a frustração provocou uma reflexão que colocou em dúvida sua percepção a respeito da denominação que dirige: “Fiquei pensando nas causas do esvaziamento das reuniões de oração. Será que eu mesmo sou o culpado? Será que não tenho enfatizado a oração na Igreja? Ou será que é simplesmente a sina das igrejas presbiterianas sempre ter reuniões de oração esvaziadas? Será que os críticos das igrejas presbiterianas de grande porte tradicionais e antigas têm razão ao afirmar que são igrejas elitizadas, frias, descomprometidas, cuja maioria dos membros assume apenas o compromisso de vir aos domingos e contribuir financeiramente? Eles dizem que não há pastor que mude isto, nem os que colocam reuniões de oração diárias nem os que concentram a oração pública em apenas uma reunião semanal. Não adiante mudar o dia da semana, mudar o formato da reunião: sempre estará vazia. Dizem que é a predestinação da igreja presbiteriana ter pouca oração e muita doutrina”, escreveu o reverendo, reproduzindo com certa ironia as críticas feitas à denominação.
            Por fim, Augustus Nicodemus Lopes disse que sua “única esperança e conforto é que os membros da Igreja estejam orando em suas casas, mesmo que não venham orar aqui nas terças”, e acrescentou: “Mas também esta esperança eu não tenho como comprovar”.
Extraído do site http://lpc.org.br/ - Luz para o Caminho

O lugar onde quero viver


            Você sabe qual é a condição básica para a formação de uma nova família?
            Você  pode  dizer:  que  as  pessoas se amem, que sejam dedicados, que se tratem bem, que sejam carinhosos, etc.
            Pois eu quero  dizer-lhe que é possível  pessoas que se amam, que se tratam bem, que são carinhosos entre si, não conseguirem formar uma nova família. Sabe o porquê? Porque não conseguiram abandonar a família antiga.
            A Bíblia diz: Por essa razão o homem  deixará pai e  mãe e se unirá a sua mulher e eles serão, ambos, uma só carne (Gênesis 2:24).
            O amor é essencial para que as pessoas se aproximem, e se encontrem, e desejem ficar juntas. O carinho, o tratar-se bem, é essencial para que elas mantenham o amor, mas, para formar uma nova família é preciso que elas tenham se libertado da relação anterior; que elas tenham amadurecido a ponto de deixar pai e mãe.
            Quantos e quantos casais que se amam, e que se tratam com carinho, e que se querem bem, não conseguem sustentar a sua vida familiar, pelo simples fato de que não conseguiram romper com a casa paterna. E é preciso romper.
            Romper, não  significa  passar para  uma situação  de desrespeito,  ou e desprezo  em relação aos pais, mas significa assumir a autonomia em relação a sua vida. Deus, um dia, chama um casal para formar um outro clã, um outro núcleo familiar: e isso significa abandonar o núcleo anterior.
            Se antes você, moço, estava submisso ao chefe da casa, que era seu pai, agora você é o chefe de uma nova casa, e essa casa agora é a sua prioridade. Se antes você moça, devia obediência ao seu pai, agora você se relaciona com o seu marido. É com ele agora que você discute a vida e é com ele que você  a decide. Tem de haver o rompimento.
            Quando o marido ou a mulher  está sempre  voltando para a casa paterna para avaliar o seu casamento, seja como for: reclamando ou simplesmente relatando o que acontece de forma indiscriminada, está condenando a sua casa a desabar.
            A nova família tem de nascer de um alicerce próprio. Os pais certamente terão legado aos filhos: estrutura, princípios, valores, fé; mas, quando os filhos são convocados, pela vida e por Deus, a formarem uma nova família, eles têm de levar dos pais os princípios, os valores e a fé que receberam, mas têm de construir a sua casa a partir de um alicerce novo, um alicerce construído a dois. É uma nova história que se está escrevendo, uma nova página que se está lendo, uma nova estrutura que se está construindo. Há lugar para amor aos pais, lugar para a saudade, mas não há mais lugar para dependência. É assim que a Bíblia diz.
Pr. Ariovaldo Ramos

Uma nova etapa


     Estou vivendo uma nova etapa de minha vida aqui em Niterói.
     Solicitei a minha jubilação como Pastor após 36 anos de serviços prestados à Igreja Presbiteriana em Florianópolis.
     Fiquei viúvo em 2013, depois de 35 anos casados. Este ano me casei novamente, em janeiro, com aquela que foi a minha primeira namorada em 1971.
     Durante muito tempo orava o Salmo 40: “Esperei com paciência pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro”. Pois desejava me aposentar na Escola, porém mudanças na lei me levaram a ter que trabalhar por mais tempo.
     Depois de tantas lutas me aposentei como professor de História, após exercer o magistério por 30 anos, sendo 22 anos no Instituto Federal de Santa Catariana- IFSC (antiga Escola Técnica) a qual sou muito grato por tudo que aprendi nesta instituição de ensino.
     O mundo dá voltas e aqui estou vivendo esses novos dias. Ainda me sinto um pouco confuso com tudo que me aconteceu nestes últimos dois anos. Mas tenho a cada dia a convicção do nosso Deus de que estou no caminho certo.
     Tirei esse ano como sendo o meu tempo, meu ano sabático. O texto que tem orientado a minha vida nestes dias está em Eclesiastes 3:7 “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: Há tempo nascer, e tempo de morrer;... tempo de estar calado, e tempo de falar...”.
     Depois de mais de 40 anos na linha de frente, pregando, dando aula na Escola Dominical, liderando Grupos de Estudos Bíblicos e participando ativamente dos Encontros de Casais com Cristo, tirei esse ano para parar, tirei esse ano para estar calado. E ter momentos para ouvir, refletir sobre a minha vida, coisa que é muito difícil quando se está na ativa e atuante. Agora tenho todo tempo ao meu dispor.
     Sempre me perguntam qual é a minha rotina? Digo com muito prazer: não tenho rotina. Procuro viver um dia de cada vez, um após o outro, com a Graça de Deus.
     Tenho viajado bastante e curtido os meus dias de forma singular. Seja isso no convívio com os meus familiares (pois vivi 36 anos em Florianópolis), seja na alegria e recomeço de uma nova vida conjugal, seja pela alegria de ver o nascimento do Paulo, filho de minha filha, como diz a Bíblia.
     Estou aprendendo a olhar para minha agenda inseparável, e ver nela sempre os espaços vazios de programação. Será sempre assim? Não sei, Deus é quem sabe. Um passo a cada dia.
     Se o texto de Josué 1:9 sustentou o meu ministério por 36 anos, ele continua a me dar o equilíbrio e a paz para o meu coração nestes novos dias, pois diz: “Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor teu Deus é contigo por onde quer que andares”.
     Assim vou vivendo e aprendendo a ficar calado. O que não é fácil para um Pastor e Professor que sempre usou a oratória como atividade de ensino.
     Tive uma palavra de Deus que um dia voltaria para minha cidade natal – diz o texto: “Assim diz o Senhor: logo que se cumprirem os anos, atentarei para vós e cumprirei para convosco a minha boa palavra, tornando a trazer de volta para este lugar”. Jr.29:10.
     Não imaginava que seria dessa forma. Mas diz a Palavra que o homem traça os seus planos, mas o Senhor lhe dirige os passos. Então, estou reaprendendo a viver novamente em Niterói, e com tantas e tantas novidades no meu dia a dia.
     A única coisa que peço ao meu Deus, é que não retire de mim a sua graça e misericórdia. Pois quero viver todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar na sua presença. Desejo viver e morrer no temor do Senhor e ser um servo fiel em todos os meus dias.
Rev. Romoaldo

A possibilidade de passar pelo sofrimento sem sofrer



Jesus, o Cristo, passou por um sofrimento enorme e sem precedentes, desde que, antes da fundação do mundo, se esvaziou, assumindo a forma de servo (Fp 2.5-7), o que foi manifestado na cruz, por amor de nós (1Pe 1.18-20).

Jesus Cristo passou pelo sofrimento, mas, sem sofrer! Isto é, Jesus passou pelo sofrimento, mas, não conjugou o verbo sofrer.

Quando a gente conjuga o verbo sofrer, a gente traz o sofrimento para o espírito, a gente passa a se definir pelo sofrimento. A dor física e a tristeza, inerente ao sofrimento, passam a ser a identidade da gente. A vida passa a ser uma lamúria e a gente passa a se definir a partir do sofrimento por que passou ou passa, carregando-o para sempre como uma carteira que se mostra quando se quer falar de si.

Jesus nunca se permitiu a isso, diante da tristeza frente à truculência do sofrimento, e à traição e abandono dos seus alunos, ele continuava a afirmar que a sua vida ninguém tomava, ele a entregava para a reassumir (Jo 10.17,18).  Era ele quem partia o pão e distribuía o cálice da nova aliança (1Co 11.23-26). Ele, e não o sofrimento a que se submeteu, é que estava como sujeito de sua história.

Jesus, por causa desse protagonismo nunca negociado, pode dizer, no momento de dor e de abandono mais intensos: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lc 23.34) – a frase que sustenta o Universo.

Se Jesus tivesse conjugado o verbo sofrer, amaldiçoaria aos seus algozes e à toda a humanidade. A tentação de conjugar o verbo sofrer, de tornar o sofrimento na sua identidade foi vencida por Jesus o tempo todo; ele sempre manteve a sua identidade fundamentada em seu relacionamento com o Pai: “... sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus, e voltava para Deus, levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela” (Jo 13.3,4)

Que boa notícia: a dor e a tristeza, inerentes ao sofrimento, não têm, necessariamente, de tomar o espírito e redefinir a identidade de quem passa pelo sofrimento! E, depois da queda, viver é passar pelo sofrimento, porque este foi, por nós (Gn 3.17), tornado o ambiente onde toda a história se desenrola.

O mais triste, quando o sofrimento se torna a identidade da gente, é que tudo e todos passam a ser julgados ou analisados a partir do que se entende ter sofrido.

A reação da gente passa a ser, sempre, reação àquele sofrimento que sequestrou a identidade da gente, qualquer ser humano, o outro, desaparece, vira algoz ou salvador, mesmo nunca tendo participado do que sofremos, ou, mesmo que tenha sido instrumento de Deus na vida da gente algum dia, inclusive, nos ministrando ou socorrendo no momento do sofrimento. Nada mais isenta o próximo, todo mundo estará sob “júdice”, e, como disse o compositor: “Qualquer desatenção, pode ser a gota d’água.” A gente passa a gostar do martírio!

Na Paixão, Jesus, o Cristo, nos demonstra como passar pelo sofrimento mais atroz sem conjugar o verbo sofrer. Nos ensina como sofrimento algum pode nos roubar a identidade, nem tirar de nós o privilégio e a responsabilidade de ser o sujeito da nossa história. Aleluia!

 Pr. Ariovaldo Ramos

Alegrai-vos no Senhor

               
     A alegria no Senhor não é natural ao nosso coração. Necessitamos da graça do Alto para que ela se manifeste.
     O pecado que corrompe a alma, o nosso fraco discernimento e os estímulos deste mundo nos levam a um caminho contrário à alegria no Senhor. Levam-nos ao descontentamento.
     Tão enganoso é nosso coração que conseguimos sentir intenso descontentamento mesmo vivendo na mais abundante graça de Deus. Em meio à fartura, nos descontentamos pelo objeto de desejo ainda não conseguido. Cobertos por palavras de afirmação, nos descontentamos com uma pequena crítica, mesmo feita com honestidade. Alvos da graça de Deus, que provê todas as coisas, nos descontentamos por uma oração ainda não respondida. Imersos em incontáveis bênçãos ao longo da vida, nos descontentamos justamente por aquela ainda não recebida. É da nossa natureza caída vivenciar o descontentamento mesmo em meio à insuperável graça e abundantes motivos de alegria.
     Perante este mar de descontentamento a ordem bíblica é contundente: “Alegrai-vos no Senhor!” (Fp 4.4). Aliás, a alegria no Senhor é alvo de diversos estímulos bíblicos. Somos convidados a nos alegrar porque “grandes coisas fez o Senhor por nós” (Sl 126.3), pelo “dia que o Senhor fez” (Sl 118.24), pois Ele é a nossa força (Ne 8.10) e é o Deus “da minha salvação” (Hc 3.18). Aqueles que se alegram no Senhor são os “retos de coração” (Sl 32.11), lembram-se da “Sua santidade” (Sl 97.12), reconhecem a Sua bondade (Jl 2.23) e sinceramente “buscam ao Senhor” (1 Cr 16.10; Sl 105.3).
     Alegrar-se no Senhor não é resultado de um mero sentimento, mas do reconhecimento da Sua bondade. Trata-se de enxergar que nenhuma tragédia da vida superará a Sua graça. Alegrar-se no Senhor é um exercício de fé, leva-nos à verdadeira adoração e fortalece a nossa fragilizada alma. Também minimiza a ansiedade, direciona para Deus as expectativas do nosso coração e nos faz olhar para o que de fato tem valor. Alegrar-se no Senhor alegra também a Deus, pois fomos feitos para reconhecer que o Seu amor nos basta.

Extraído do site da Ultimato – Autor: Ronaldo Lidório

O deserto e a liberdade


     Não é sem motivo que Deus, logo após libertar o povo da escravidão no Egito, os conduziu para o deserto. A passagem pelo deserto era necessária para ajudá-los a deixar para trás a mentalidade da escravidão e a compreender a nova liberdade que Deus lhes estava oferecendo. Quando damos o nosso sim a Deus, ele sempre nos conduz ao deserto.
     O nosso deserto não é igual ao das areias do Neguev ou do Saara. Nosso deserto é o lugar onde somos levados a refletir sobre nossas ilusões, as expectativas infantis que nos mantêm alienados, inclusive de pessoas que amamos; os medos que mascaramos ou sublimamos em nossa busca frenética por realização e entretenimento. No deserto, não temos um caminho claro e seguro, nenhuma distração, nada que nos excite. Nele, o futuro é incerto, nos vemos vulneráveis e fragilizados, e experimentamos a força das trevas interiores do medo.
     Por outro lado, o deserto é o lugar do encontro com Deus, da rendição do orgulho e da ilusão de sermos senhores do nosso destino. É o lugar da companhia divina, do silêncio diante de Deus, onde a quietude nos ajuda a reconhecer a presença dele. O silêncio que nos torna mais atenciosos à voz de Deus. Para sermos livres, precisamos nos afastar, por um tempo, do mundo dos homens para entrarmos, a sós, no mundo de Deus. Um tempo no qual as paixões, tensões, pressa, vão, lentamente, cedendo espaço para percebermos a realidade à luz da eternidade e restabelecermos o valor correto das coisas. No deserto, reduzimos nossas necessidades àquilo que é essencial.
     A enfermeira americana Bronnie Ware escreveu um livro sobre os “cinco maiores arrependimentos ou lamentos de pacientes terminais”. Depois de acompanhar por vários anos estes pacientes, ela listou aquilo que eles gostariam de ter feito e não fizeram, como: ter mais tempo para os amigos e não ter trabalhado tanto. O deserto deles trouxe uma outra dimensão de suas reais necessidades.
     Na solidão do deserto, descobrimos a suficiência da graça de Deus. Teresa de Ávila (1515--1582) descreveu num poema sua experiência no deserto:

Nada te perturbe, / Nada te espante. / Tudo passa. / Deus não muda. / A paciência tudo alcança. / Quem tem a Deus, / Nada lhe falta. / Só Deus basta.

     Nossa necessidade primeira é Deus. De tudo o que aprendemos no deserto, a lição mais importante é que aquilo de que mais necessitamos encontramos na comunhão com Deus. A experiência do deserto nos conduz ao autoesvaziamento, ao desapego dos ídolos que nos oferecem a falsa segurança, e à completa submissão a Deus e aos seus caminhos. Aprendemos a ver a vida desde a perspectiva da eternidade, o que nos ajuda a colocar em ordem nossos valores.
     A verdadeira liberdade nasce do deserto. Foi no deserto que Jesus reafirmou a identidade dele e seguiu livre para realizar a missão dele em obediência ao Pai. Não precisou usar nenhum artifício para se autopromover. Foi livre para fazer o que tinha de fazer, assumir a cruz e, no fim, morrer. O deserto nos liberta dos falsos deuses, das mentiras e ilusões que nos fazem pessoas controladoras e manipuladoras. Rompe com a falsa sensação de que temos controle sobre o nosso destino. O deserto nos torna pessoas mais verdadeiras, livres, e mais conscientes de nossa total dependência de Deus.
Ricardo Barbosa de Sousa
Extraído da Revista Ultimato n°348

Crer é Também Pensar


     Anselmo de Cantuária, teólogo e filósofo cristão do século XII, disse que teologia é “fides quaerens intellectum” – fé em busca de entendimento. Especialmente em se tratando da experiência religiosa cristã, essa questão ganha proporções de maior seriedade. A fé cristã é baseada na afirmação de que Deus se revelou aos homens. Algumas pessoas testemunharam suas experiências com um Deus [Yahweh] que se lhes manifestou e com elas falou, como foi o caso de Abraão, Isaque, Jacó, José e Moisés. Os relatos desses homens foram sendo colecionados e transmitidos oralmente, e aos poucos foram formando a identidade de um povo que veio a se tornar a nação de Israel. A tradição oral foi compilada em textos, que gradativamente ganharam status de norma para as crenças e conduta do povo que se estruturou em bases políticas, éticas e religiosas. Vieram os reis, os sacerdotes, os sábios e os profetas, que acrescentaram suas narrativas orais e escritas, até que se consolidou um texto considerado sagrado, que conhecemos como Escrituras, Bíblia Hebraica ou Antigo Testamento.
     O Antigo Testamento conta uma história de, aproximadamente, 4 mil anos, até surgir sua personagem central: Jesus de Nazaré, também chamado Cristo, que identificou a si mesmo como o Messias de quem falavam as Escrituras do povo hebreu. O próprio Jesus se compreendia como cumprimento de todo o propósito da revelação de Yahweh, e muitos creram em sua mensagem. Os seguidores de Jesus se ocuparam em registrar sua biografia, que conhecemos como Evangelhos, interpretar as Escrituras hebraicas, e iluminar sua pessoa e obra em textos que ressignificaram todas as crenças antigas a respeito do Deus outrora revelado como Yahweh. Os novos textos - os Evangelhos, Atos dos Apóstolos e Epístolas dos Apóstolos, mais o Apocalipse - foram definidos como sagrados para os cristãos e hoje os conhecemos como Novo Testamento.
     A Bíblia Sagrada (Antigo e Novo Testamentos) é o fundamento das crenças cristãs. Mas as crenças não são o objeto da fé, pois a fé se destina à pessoa que revelou a si mesma. Isto é, os cristãos não creem na Bíblia, creem em Deus conforme revelado na Bíblia. É verdade que Deus é sempre maior do que a revelação que faz de si mesmo, e maior ainda do que as interpretações que se façam a respeito de sua revelação. Mas ainda assim é incoerente afirmar que a revelação de Deus está aberta à subjetividade, isto é, livre da lógica intrínseca à Bíblia. Afirmar que a verdade revelada prescinde da lógica é transformar a pessoa revelada numa mancha de teste psicológico: cada um vê o que quer ver, o que implica esvaziar a identidade da pessoa revelada, deixando-a à mercê do intérprete. Afirmar “não importa o que você disse, mas sim o que eu ouvi”, equivale a dissolver você e o que você diz, isto é, você morre como pessoa que fala e eu me afirmo como pessoa que ouve, independentemente de você e do que você diz.
     Imagine que você está em viagem, pergunta para que lado fica a cidade de Salvador, e o informante responde que depende de você, de sua percepção e crenças a respeito dos pontos cardeais, e de sua visão do sol: “Salvador fica no seu coração, meu rei, basta segui-lo”. Você desconsideraria o informante em razão de ter recebido uma orientação absolutamente inútil ao seu propósito de alcançar um destino. Podemos dizer o mesmo a respeito da crença em Deus: a Bíblia Sagrada é o universo de referência para quaisquer que sejam as percepções a respeito dEle.
     Mais do que simplesmente ter crenças a respeito de Deus, importa confiar em Deus, isto é, ter fé. Mas para confiar em Deus, é necessário acreditar em alguma coisa a respeito dEle, isto é, ter crenças. Crer é também pensar, e pensar respeitando os limites da revelação que Deus faz de si mesmo na Bíblia Sagrada e em Jesus de Nazaré. Sob pena de se tornar mera superstição, crença sem fundamento, a fé e a crença em Deus devem ser articuladas na tensão entre o texto que revela a pessoa e a pessoa revelada no texto: a Bíblia e Deus, Deus e a Bíblia.

 Ed René Kivitz

Utilidade Pública: Cadastramento Biométrico


     Como você já deve saber, nas próximas eleições, os municípios de Biguaçu, Blumenau, Florianópolis, Joinville, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz e São José terão o Controle Biométrico. Portanto, agora é obrigatório aos eleitores destes municípios o cadastramento prévio de suas digitais.
     Se você já fez o cadastramento de suas digitais, não é preciso fazer mais nada. Mas se ainda não o fez, não perca tempo. Quanto antes você fizer, menos fila irá pegar. Acesse aqui e veja os documentos necessários para o cadastramento, além dos locais e horários de atendimento de cada município:


SEPAL 2015


    Novamente, Rosângela e eu, tivemos a oportunidade de participar do Congresso da SEPAL (Servindo pastores e líderes), em Águas de Lindóia, SP. Esse foi o 42º e teve como tema “Uma igreja sobrevivente”. A proposta do tema soou para mim, como um tipo de “Reforma” que se deseja para a igreja evangélica no Brasil, especialmente diante de tantos desvios e até mesmo absurdos que acontecem no meio evangélico de hoje. Entretanto, o enfoque dado não foi o acusatório, mas buscou-se direcionar as reflexões para o que a igreja deve ser à luz da Bíblia. Os preletores das plenárias foram os batistas Ariovaldo Ramos e Ed René Kivitz; e os presbiterianos Ronaldo Lidório e Ricardo Agreste. Também houve vários seminários ministrados por homens e mulheres de outras denominações. Creio que houve a participação de mais ou menos 2.000 pessoas, gente de todo o Brasil.
     Nos últimos anos, nossa ida à SEPAL não tem tido o objetivo de aprender coisas novas ou de trazer novidades para a igreja, embora a gente sempre aprenda alguma coisa. O que tem acontecido, é que percebemos que a Igreja Presbiteriana de Florianópolis está num bom caminho, embora possa melhorar em alguns aspectos, que podem aprimorar sua missão como igreja. Não é preciso imitar ninguém, mas também é importante estarmos abertos a mudanças, quando se fizerem necessárias e saudáveis.
     Para nós, esse encontro é também um momento de refrigério, de descanso, pois tanto eu como a Rosângela, saímos de nossas rotinas, o que é sempre muito bom. Por outro lado, a SEPAL nos proporciona a graça de encontrarmos velhos e novos amigos. Por sinal, pudemos desfrutar de longas e agradáveis conversas com o casal Matheus e Renata (Ele é pastor da igreja de Biguaçu).
     Somos muito gratos à nossa igreja, que nos proporciona esse privilégio anual. E quando somos abençoados, a igreja também o é.
 Rev. Joel

Jovem Presbiteriano


     Um dos desafios para os jovens atualmente, é viver nas cidades fazendo com que seu coração permaneça no jardim cristão.
     Nutrir uma espiritualidade sadia está relacionada ao pertencimento, e é a pré-disposição em manter um relacionamento com Deus. No mundo atual em que tudo é “fast” e fica pronto em minutos como o miojo, a internet é rápida e a banda é larga e os diálogos são por redes sociais, os relacionamentos se tornam superficiais.  Abrir mão de si em favor do outro é um desafio que contraria os valores da sociedade moderna.
     Mas, o maior desafio é entregar completamente a sua vida em favor do Reino de Deus. Tenha fé, não se esqueça de que na Palavra há poder, por isso não esmoreça.
     Assim jovem presbiteriano, proclame o seu amor ao Senhor Jesus, fale ao mundo da salvação que vem de Jesus.
     É com este pensamento que a Sociedade Auxiliadora Feminina - SAF - deseja a todos os jovens de nossa igreja que nutram uma espiritualidade sadia junto ao seu grupo de pertencimento cristão, local onde você encontrará amor, doação, amizade, alegria, compartilhamento e outros valores cristãos.
     Que Deus abençoe a todos os jovens presbiterianos brasileiros e recebam um carinhoso abraço da SAF.

Márcia Cruz Gerges
1ª Secretária da SAF

Quem canta seus males espanta!



     Quem nunca ouviu este ditado popular?
     Representa uma verdade que só quem canta é que pode sentir em sua vida, o quanto cantar é saudável para a alma humana.
     Poderíamos estender os benefícios do Canto para o Canto Coral, pois é uma atividade em grupo, onde cada um contribui para a riqueza e enriquecimento do conjunto, sendo que muito aprendemos neste cantar juntos. Temos que deixar nosso ego de lado e estar juntos com os outros para soar Uno, equilibrar os naipes, aprender a timbrar igual, igualando nossa voz com a dos colegas do coro. É um grande exercício que nos faz crescer como pessoas.
     Estendendo mais ainda estes benefícios  do Canto Coral para Música Sacra, além de estarmos limpando todas as nossas dores da alma e aprendendo lições de humildade e harmonia entre todos, ainda estamos louvando a Deus, exaltando o Seu grande amor por nós e levando a outros a mensagem de Sua Palavra através da Música. Não há atividade musical mais sublime para uma pessoa e para um músico, do que participar como cantor em um coro cantando Música Sacra.
     Muitas vezes, quando chegamos ao ensaio do Coral Julinda Ribas Camargo, trazemos conosco nossos problemas do dia a dia, nossas dores e tristezas e, ao longo do ensaio tudo se esvai, e voltamos para casa felizes e curados, porque Deus nos tocou de tal maneira que só seria possível lá. Todos nós, cantores e eu regente sabemos e sentimos isso. É muito bom!
     O nosso querido Coral Julinda Ribas Camargo está precisando de você adulto, jovem e adolescente. Para que não morra a história construída em nossa igreja, para que possamos continuar, geração após geração, tendo Música Sacra Coral em nossa igreja.  Para todos nós nos beneficiarmos da maravilha que é cantar num Coro Sacro, venha cantar conosco.
     O Coral Julinda Ribas Camargo tem vagas abertas para as vozes masculinas Baixo e Tenor e para as vozes femininas Contraltos. Caso Sopranos queiram participar também são bem-vindas... mas talvez tenham que ajudar, uma vez ou outra, no naipe de contraltos e fazer a “2ª voz”, que não deixa de ser um exercício auditivo desafiador!
     Nossos ensaios são às 3ªs feiras, das 20h às 22h e nos domingos que cantamos, ensaiamos uma hora antes. 1º domingo do mês no culto das 18h30min e 3º domingo no matutino e no das 18h30min.
     Não perca esta oportunidade de crescer musicalmente, sanar todas as dores da alma e louvar ao nosso grande Deus!

Aguardamos você.
Um fraternal abraço,

Inês Hartt
Coral Julinda Ribas Camargo

Coisa de Criança



     Por onde Jesus passava era possível ver crianças correndo em volta e se misturando na multidão. Os discípulos tentaram impedir que as crianças se amontoassem no colo de Jesus. Achavam que Jesus tinha coisa mais importante para fazer do que dar atenção às crianças, mas acabaram descobrindo que não apenas as crianças gostavam de Jesus, mas Jesus também gostava das crianças. Numa dessas ocasiões, Jesus pegou uma criança no colo e deixou muito claro que quem não se torna igual a uma criança não pode entrar no reino dos céus, pois o reino dos céus pertence aos que são semelhantes às crianças [Mateus 18.1-5; 19.13-15]. Naquele dia as crianças se tornaram um padrão para a espiritualidade cristã.
     Evidentemente, Jesus não pretendia que nos tornássemos iguais às crianças em todas as dimensões da infância. As crianças, por exemplo, não sabem o que é a gratidão, pois não têm noções de medidas abstratas. Não têm condições de avaliar o que é feito por elas, não sabem quanto sacrifício é necessário para que sejam cuidadas e não têm critérios para os custos da dedicação dos pais ou o valor das coisas que são oferecidas a elas. Por isso é que os pais vivem dizendo diz obrigado para a titia, “já disse obrigado para o vovô?”, pois se não o fizessem, as crianças simplesmente pegariam o presente e sairiam correndo para brincar. As crianças também não têm noções de tempo, distancia e volume. Por isso é que usam palitos de fósforo para marcar quantos dias faltam para o passeio no zoológico, numa viagem longa perguntam de cinco em cinco minutos se está chegando, e de noite, antes de irem para a cama, abrem os braços e dizem com aquele sorriso lindo “mamãe, eu te amo desse tamanho assim.
     As crianças também estão absolutamente fora das categorias sociais de valores e importância. Tratam o general com a mesma displicência com que tratam o zelador do prédio onde moram, e falam as maiores barbaridades quando percebem algo inusitado em algum adulto que pretende conquistar sua simpatia, deixando os pais ruborizados e constrangidos. Elas não sabem quem é importante e quem não é. Elas ainda não foram contaminadas com os paradigmas do mercado, que valora pessoas de acordo com posição social, conta bancária, ou potencial de favorecimento e trocas de favores. Não fazem a menor ideia, por exemplo, de que é preciso um sorriso de plástico para o senhorio que chegou para tratar do aumento do aluguel, ou demonstrar especial apreço ao chefe que veio para o jantar. Isso significa que uma criança jamais perguntaria para Jesus quem é o mais importante no reino dos céus?”, pois não lhes passa pela cabeça que um ser humano pode ser maior ou menor do que o outro em termos de valor intrínseco – aliás, nem imaginam que exista ou o que seja esse tal de “valor intrínseco”.
     A exortação de Jesus aos seus discípulos sublinha exatamente esses traços próprios das crianças: o absoluto despojamento das disputas de poder e a absoluta ignorância a respeito das hierarquias que separam os seres humanos uns dos outros, e promovem toda sorte de guerras e conflitos, que somente se justificam pela vaidade e o orgulho dos egos que pretendem se afirmar às custas da diminuição e destruição dos demais.
     Como seria o mundo se todos tivéssemos o coração das crianças? Teríamos breves desentendimentos, logo seguidos de um enxugar de lágrimas e a correria reiniciada rumo à próxima brincadeira. Haveria mais cooperação e menos competição, mais perdão e menos ressentimento e ódio, mais partilha e menos acúmulo, mais brincadeira e menos agressões, mais amores e menores dores. O rabino Harold Kushner disse que as crianças perdoam rápido, e se reconciliam na velocidade da luz, pois preferem ser felizes a ter razão”. São simples, e humildes, não se constrangem com vitórias e derrotas, pois não competem, apenas brincam. Não estão no jogo de quem é o maior e quem é o menor.
     O reino de Deus é um reino para gente com coração de criança. Todo mundo brincando de roda, cada um segurando na mão do outro, sem restrição para quem chegar, apoteose da fraternidade universal, sob a benção do Pai, do Filho e do Espírito Santo, numa santa e bendita folia. Coisa de criança.

Ed René Kivitz