10/12: Dia da Bíblia

 “Leram o Livro da Lei de Deus, interpretando-o e explicando-o, a fim de que o povo entendesse o que estava sendo lido”. (Neemias 8.8)
 Desde que foi instituído o “Dia da Bíblia”, em 1549, na Grã Bretanha, os fiéis foram encorajados a interceder em favor de sua leitura. No Brasil, a data passou a ser comemorada só em 1850, quando os primeiros missionários cristãos chegaram da Europa e dos Estados Unidos. Todo segundo domingo de dezembro, desde então, é dia de exposição, encontros de oração e reflexões sobre a Palavra.
Para a igreja brasileira, a comemoração especial passou a integrar também o calendário oficial da país, de acordo com a lei federal 10.335, tornando esse dia conhecido em todo o território nacional. Atualmente, além das comemorações convencionais, os cristãos realizam shows, maratonas de leitura bíblica, constroem até mesmo monumentos e realizam distribuições das escrituras das mais variadas maneiras. Infelizmente, essas são ações restritas à igreja livre de perseguição.
A Igreja Perseguida conhece outra realidade. A Bíblia para eles trazem dias mais difíceis, encontros cada vez mais vigiados e as comemorações devem ser discretas e até mesmo secretas. A leitura bíblica não é algo que se possa ser feito em público, aliás, portar uma Bíblia é o mesmo que assumir o “crime” de ser cristão.
Relatórios da Portas Abertas já contabilizaram mais de 70 líderes que foram presos por pregar o Evangelho no Irã, e não há expectativas de dias melhores. Só no mês de outubro 9 cristãos foram presos no Sudão por se recusarem a fechar a Escola Bíblica onde lecionavam. Estes são apenas alguns exemplos, pois há milhares de cristãos lutando pelo direito de ter uma Bíblia e de ser um seguidor de Cristo. Para isso, eles arriscam suas próprias vidas. Nesse dia, ore por eles de uma maneira especial.

Intercessão

Vamos interceder em oração pelas seguintes pessoas (atualizada até 08/12/2017):

Dalva Andrade, Odair Oliveira, Samuel França (amigo do Fábio Pacheco), Tereza Imaculada Tortelote Saraiva (sogra da Helena Cristina), Leandro (sobrinho do Deodoro); Maria da Graça Marques (avó da Lisiane França), Walter Arnaldo da Conceição, Berenice Ferreira (sobrinha do Dionísio), Helena Maria Capella (cunhada da Ruby), Floriana, Ester (esposa do pastor Claudimir), Ruben Luz Costa, Cida Losso e família, Enezilda Machado Vieira, Fabrícia Vieira (amigas da Cida Losso), Volnei Bristot (cunhado da Reintraut), Eunice (cunhada da Inésia), Gabriel (filho do amigo do Deodoro), Rafael Bianchini (sobrinho do Moacir), Henrique Rios Martins.

“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo”. (Tg. 5:16)

Entre palavras ditas e palavras ouvidas

Nossas vidas são construídas pelas opções que fazemos nas inúmeras bifurcações com as quais nos deparamos ao longo da jornada. Optamos por fazer determinado curso universitário e não um outro, por exemplo. Consequentemente, desenvolvemos amizades com certas pessoas, e não com outras, e frequentamos determinados lugares em detrimento de outros. Depois de formados, aquela rede de relacionamentos que formamos podem nos levar a trabalhar em determinadas empresas, e não em outras.
Mas nossas vidas não são construídas apenas pelas opções que fazemos. As palavras que ouvimos também entram nesse processo. Palavras influenciam grandemente nossas escolhas ao longo do caminho, e o que ouvimos ecoam dentro de cada um de nós. Palavras têm o poder de nos mover aos lugares mais altos da vida; podem, por outro lado, nos levar a situações de tristeza, escuridão e crise. Assim, uma conversa com o filho pode determinar seu sucesso futuro; um elogio recebido do chefe pode mudar a disposição e o futuro da carreira de um profissional; e um conselho de amigo pode resultar na restauração de um casamento.
Palavras de carinho da mulher para seu marido podem mudar seu ânimo diante da adversidade. E uma frase despretensiosa, dirigida a uma pessoa numa roda de amigos, pode fazer grande diferença àquele que a recebe. Porém, palavras podem ter efeitos negativos. Uma crítica feita em momento inapropriado pode levar ao abandono de uma vocação; uma difamação pode levar à destruição de uma carreira ou de uma família; comentários levianos podem semear intrigas e sabotar amizades desenvolvidas ao longo de anos. Por isso, precisamos reconhecer que palavras têm grande poder – tanto para gerar as coisas mais positivas como as mais negativas numa pessoa.
Mas a sabedoria cristã aponta noutra direção. Através de Tiago, as Escrituras nos aconselham a sermos prontos para ouvir, tardios para falar e mais tardios ainda para nos irar, pois nossa ira não traz à tona a justiça de Deus, conforme Tiago 1.19. Logo, precisamos submeter as palavras que ouvimos à justiça de Deus. Isso significa que a última palavra acerca de quem somos ou fazemos vem do Senhor. Ele deve ser a maior fonte de influência em nossas escolhas.
Diante do grande poder das palavras, que tal resgatar o silêncio em nossas vidas? A quietude nos ajuda a discernir as palavras que devem ser ditas, que produzirão o bem para os outros, e palavras que não merecem ser proferidas. Mas o silêncio também nos ajuda a ouvir a voz daquele que é justo e verdadeiro, mostrando-nos claramente o que devemos acolher e o que devemos simplesmente dissipar de tudo quanto ouvimos.

Ricardo Agreste

A seriedade da gratidão



 Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos… (2 Timóteo 3.1-2)
Observe como a ingratidão acompanha o orgulho, a blasfêmia e a insubordinação.
Em outro lugar, Paulo diz: “nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices… antes, pelo contrário, ações de graças” (Efésios 5.4). Assim, parece que a gratidão é o oposto da desonra e violência.
O motivo disso é que o sentimento da gratidão é humilde, não orgulhoso. Gratidão é exaltar o outro, e não a si mesmo. É alegre de coração, não irado ou amargurado.
A chave para libertar um coração grato e vencer a amargura, a desonra, o desrespeito e a violência é uma forte confiança em Deus, o Criador, Sustentador, Provedor e Doador da esperança. Se não cremos que estamos profundamente em dívida com Deus por tudo o que temos ou esperamos ter, então a própria fonte da gratidão ficou seca.
 Portanto, concluo que a ascensão da violência, do sacrilégio, da desonra e da insubordinação nos últimos tempos é uma questão relativa a Deus. A questão básica é a falha em sentirmos gratidão nos níveis mais elevados da nossa dependência.
Quando a elevada fonte da gratidão a Deus falha no topo da montanha, logo todos os reservatórios de gratidão começam a secar mais abaixo na montanha. E quando não há gratidão, a soberania do “eu” desculpará cada vez mais a corrupção para o seu próprio prazer.
Ore por um grande despertamento da gratidão humilde.

John Piper

Fonte: Devocional Diário Alegria Inabalável

Desconsolos da Vida

 Por que será que todas as vezes que somos surpreendidos por uma notícia que nos assusta ou nos causa impacto dizemos: “Como pode isso?”, “porque assim?”. Sim! É da natureza humana temer o incômodo. Nossa humanidade persiste em afastar, o máximo possível, os desconsolos ou até mesmo a possibilidade de tê-los.
Dia desses assistia na TV uma entrevista com uma médica psiquiatra que falava sobre o uso indiscriminado de ansiolíticos na atualidade. Dizia ela que muitas pessoas querem, de todas as formas, aliviar qualquer pequeno desconforto e com isso recorrem, com frequência aos remédios que aparentemente diminuem, não os problemas, mas a percepção deles.
Disse a entrevistada que cada caso é um caso, e todos precisam de atenção e cuidados únicos, mas que em muitas situações é preciso entender que “os desconfortos fazem parte da vida”, e quem sabe seja isso mesmo, aprender a administrar os problemas e não, necessariamente, evadir deles!
Outro fato é que muitas situações vividas e experimentadas por nós poderão ser modificadas e outras com certeza deverão ser aceitas por não se poder mudar.
O teólogo estadunidense Reinhold Niebuhr, afirmou que ele desejava que o Senhor concedesse a ele “serenidade necessária para aceitar as coisas que não se pode modificar, coragem para modificar aquelas que se pode e sabedoria para distinguir umas das outras”.
Eis aí uma simples oração, talvez até um pouco óbvia, mas tão necessária para os nossos dias e ao mesmo tempo tão difícil de ser praticada e lembrada diante das dificuldades.
Jesus em seu ministério consolou seus ouvintes dizendo: "No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem! Eu venci o mundo" - João 16.33, quer dizer, ele não eximiu seus seguidores dos percalços, das lutas e reveses. Será que Jesus teria dito o que muitos pregadores oportunistas têm espalhado nos dias de hoje: “venham a mim e seus problemas se acabarão”? Certamente não. Não, esse não era o discurso de Jesus, mas de encorajamento diante das lutas.
Serenidade para aceitar. Coragem para mudar e ir em frente. Está aí o desafio e o caminho. Essa deve ser a nossa estrada e a nossa súplica deve ser para que Deus nos fortaleça e sustente durante todo o trajeto.

Rev. Matheus Felipe Santiago

Arte ou Depravação

A sociedade brasileira se dividiu diante da controvérsia sobre três eventos supostamente artísticos como a Exposição Queermuseu, financiada pelo Banco Santander, cujos quadros mostram crianças sendo abusadas sexualmente e homens tendo relações sexuais com animais; 
No outro evento, o Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, colocou um homem nu deitado como expressão artística (quem lê, entenda), e uma criança de quatro anos é incentivada pela própria mãe a tocar no corpo daquele homem desconhecido supostamente para aprender a lidar com a nudez; 
O terceiro evento, um pouco mais antigo, foi a polêmica performance intitulada Macaquinhos, apresentada como parte da programação da 17a Mostra Sesc Cariri de Culturas; em Juazeiro do Norte, no qual um grupo de nove atores tocam nos ânus uns dos outros em uma roda, enquanto dançam. Esta apresentação aconteceu pela primeira vez em 2011, e se repetiu até 2014, no Festival Mix Brasil em São Paulo, financiado pelos recursos do Sistema S, com dinheiro do Governo Federal. Impostos pagos por cidadãos comuns como nós.
A TV Globo, motivada por, sabe lá qual motivo, saiu em público para defender tais expressões artísticas (sic!), apesar de todas estas cenas ferirem o decoro, a moral e a família, e diga-se de passagem, serem de péssimo senso estético. Cenas de depravação travestida de arte.
Quais são os objetivos “artísticos”, por detrás desta decadência supostamente cultural? O que se objetiva com tais movimentos? Um ataque à família? Aos valores? À Igreja?
Na verdade, não. De forma direta tais ataques afrontam o Deus santo. Historicamente isto tem se repetido com determinada constância. Quando o povo de Sodoma e Gomorra enveredou pela perversão, Deus afirmou algo perturbador: “Descerei e verei se, de fato, o que tem praticado, corresponde a este clamor que é vindo até mim; e, se assim não é, sabê-lo-ei” (Gn 18.21).
Aqueles que ficam chocados com estes cenários descritos acima, precisam lembrar que tais expressões sacrílegas, não são, em primeira instância contra nós, mas contra Deus.
A depravação pode ter nomes bonitos e se esconder em supostas manifestações artísticas, mas precisamos lembrar que “a nova moralidade, nada mais é que a antiga imoralidade” (Francis Schaeffer). Infelizmente a arte também sofre os efeitos da degradação moral da humanidade e reflete os anseios depravados do coração moral e espiritualmente afetado. A boca fala daquilo que o coração está cheio. A arte reflete o coração.
                                                                                                                    
Rev. Samuel Vieira 

Comer, beber ou qualquer outra coisa!

"Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" I Cor 10:31.
Será que tudo o que eu e você fazemos é para a glória de Deus? Tudo mesmo?
Normalmente as pessoas separam as coisas da sua vida, denominando que estas pertencem a Deus e estas outras não. Muitos são os que creem que algumas coisas podem ser vistas e ouvidas por Deus e outras não.
Separam, porque desde o momento em que iniciam a fé, não importando a idade, aprendem que para algumas coisas Deus se faz presente e para outras não.
Este ensinamento, ainda que errôneo, está presente naquelas afirmações que dizem, entre outras coisas, que o templo em que nos reunimos, por exemplo, é a casa de Deus. Ora, casa é o lugar onde alguém vive, logo, se o templo é a casa de Deus é porque é lá que Deus vive.
No discurso de Paulo em Atenas esta verdade fica bem elucidada quando afirma que o Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. (Atos 17:24).
No tempo da graça, nós, os que cremos e confessamos o nome de Cristo é que nos tornamos a casa espiritual de Deus, a habitação do Espírito Santo (I Pe 2:5). Na verdade, Deus não pode estar limitado por espaço e tempo, afinal sua ação sobre o cosmo é atemporal, quer dizer, está longe de ser determinada pelo tempo humano.
Ainda que homens e mulheres tenham grande dificuldade em dimensionar a grandiosidade do poder de Deus, Ele se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, foi então que vimos a sua glória como do unigênito do Pai. (João 1:14).
Em Jesus o Pai se fez tempo presente, quer dizer, Ele mostrou que mesmo em toda a sua majestade e glória ele ocupa um espaço no tempo humano a fim de não mais ser visto como um ser transcendente acima da compreensão humana.
Jesus é Emanuel, Deus conosco, presente e caminhando conosco diariamente e em cada momento de nossas vidas. Quando subiu aos céus, Cristo afirmou-nos que enviaria o consolador (João 16:7) e que este testificaria dele, a fim de que em nada nos sentíssemos sozinhos e desamparados.
Se Deus em Cristo por meio do Espírito Santo se faz presente em nossas vidas e em cada momento dela, devemos, deste mesmo modo, fazer com que tudo nela seja para a Sua glória.
Não podemos separar as nossas vidas. Não podemos viver uma vida longe e próxima de Deus, uma hora como crentes e outra como não crentes. Simplesmente não dá! É impossível, porque a nossa vida agora está oculta com Cristo em Deus (Col.3:3), significa dizer que estamos unidos a Ele e somos identificados Nele.
Por isso a importante necessidade de buscarmos fazer todas as coisas para a glória de Deus, porque agora Cristo é conhecido através de nós, e nós mesmos nos reconhecemos em Cristo. Assim, Paulo enfatiza a necessidade de fazermos tudo para a glória de Dele.
O verbo “façais alguma coisa”, indica um presente imperativo e constante, apontando ainda uma ação habitual e rotineira. Sendo assim, desde o comer e o beber, funções rotineiras e ao mesmo tempo tão significativamente importantes para a nossa vida, ou até mesmo o fazer qualquer outra coisa, façamos tudo para a glória de Deus. Que assim seja na minha e na sua vida.

Rev. Matheus Felipe Santiago

Reforma em movimento

Lembrar os 500 anos da Reforma tem sido uma oportunidade ímpar para um reencontro com os princípios que a nortearam e as “pessoas-chave” que determinaram a sua caminhada. Mais do que celebrar a Reforma como algo estático, é importante destacar sua origem como um movimento que teve precursores, detratores e seguidores.
O próprio Lutero, considerado o pai da Reforma, foi um homem em movimento. Desde que anunciou as 95 teses e elas se espalharam com rapidez, ele nunca mais conseguiu parar. Mesmo sem viajar para longe de Wittenberg, seus deslocamentos aconteceram em função da Reforma. E foi numa dessas viagens que ele veio a falecer, em 18 de fevereiro de 1546.
Uma obra monumental, composta por 112 volumes, começou a ser publicada a partir de 1883. A Weimarer Kritische Gesamtausgabe reuniu os diversos escritos e comentários de Lutero, dedicando seis volumes às famosas “conversas de mesa” (Tischreden), palavras e expressões anotadas por visitantes e parceiros enquanto conversavam em torno da sua mesa, caminhavam com ele no jardim ou o acompanhavam em alguma viagem. Outros dezoito volumes são dedicados a cartas que Lutero escreveu a diferentes pessoas e em múltiplas situações. Grande parte do que hoje se considera teologia de Lutero provém dessas correspondências e das conversas em que ele manifestava sua percepção do que significava trilhar o caminho do evangelho, bem como a formação de uma comunidade de fé marcada por um encontro novo e transformador com a graça libertadora de Deus, tal como expressa nos evangelhos. Lutero foi um teólogo a caminho, um pastor em movimento.
Nessa coleção vê-se que grande parte da obra de Lutero é composta de sermões e exposições bíblicas. Lutero era um pregador contumaz, tanto em Wittenberg como nas cidades que visitava. A última de suas prédicas foi proferida em Eisleben, no dia 31 de janeiro, dias antes de morrer. Em seu leito de morte, conta S. Nichols, ele pronunciou o seu último sermão – duas palavras das Escrituras, uma de João 3.16 e a outra do Salmo 68.19: “Bendito seja o Senhor, Deus, nosso Salvador, que cada dia suporta as nossas cargas”. Lutero foi um homem da Palavra e um pastor de igreja. Um peregrino do evangelho.
Ecclesia reformata et semper reformanda est
Um dos princípios da Reforma é esta famosa expressão em latim que diz que a igreja da Reforma precisa estar em contínua reforma. Ela ressalta que a igreja precisa nutrir-se de forma constante das Escrituras e sempre voltar a ela, pois nela a comunidade dos crentes encontra o seu lugar primordial de escuta, interpretação e vivência. Essa Palavra gera e alimenta uma comunidade formada por “todos” os seus membros, todos eles, santos sacerdotes, que é outro princípio da Reforma. Ou seja, essa é uma palavra que se encarna e que encontra expressão na vida em comunhão. Este movimento que parte do encontro com a Palavra para a formação da comunidade de fé tem algumas marcas, entre as quais:
•A Reforma é um movimento da “cúria” para a comunidade.
No centro da vida da igreja está a comunidade de fé e não a “cúria”, entendida como o centro de poder que controla e alimenta a igreja e sua fé. Este movimento desconstrói o centro, empodera a comunidade e democratiza a vivência da fé.
• A Reforma é um movimento do “dogma” para a fé do dia a dia.
Ela afirma que a fé, a partir do encontro com a Palavra, deve ser discernida, vivida e afirmada na vivência comunitária. Esta afirmação nega o valor do “dogma” como uma afirmação feita a distância, a partir de uma postura clerical imposta sobre a comunidade de fé. Pelo contrário, o dogma está a serviço de uma fé e uma comunidade que preservam a centralidade em Cristo.
• A Reforma é um movimento do mosteiro para a cidade.
Ela afirma que a vida cristã precisa ser vivida no público. Ela precisa estar disponível no vernáculo, pois é ali que fermenta cada área da vida, para ser experimentada como vocação a serviço de Deus. Esta afirmação questiona o mosteiro como o centro onde se gesta e modela a vivência da fé e, assim, “empurra o monge para fora dos muros do mosteiro” e o coloca a serviço da vida da igreja.
• A Reforma é um movimento do clero e do celibato para a vocação secular e para a família.
Ela afirma a família como “a pequena igreja” e, como tal, o lugar primordial onde se ensina e vive a fé. Afirma que todos os cristãos são iguais e exercem um sacerdócio, eclesiástico ou não. Em todos os setores da vida se experimenta a vocação e o envio, e daí nasce a riqueza da igreja. Assim, questiona o status especial do clero e o celibato como uma expressão diferenciada de santidade e exercício ministerial.
Cada um desses movimentos é crucial para os nossos dias e para as igrejas que se declaram seguidoras da Reforma, ainda que com uma configuração diferenciada a cada geração e contexto. No entanto, a igreja precisa de forma essencial: viver da Palavra e fugir da mera preocupação consigo mesma; estar em movimento para captar a novidade do evangelho e fugir da tentação de se constituir num centro de controle e poder; viver a tradução do evangelho para cada área da vida e fugir de processos de clericalização que produzam feudos eclesiásticos e controles pastorais marcados pela síndrome ditatorial.
Portanto, se o sacerdócio é de todos e se a Palavra está disponível para ser abraçada, isto se expressa na vida em comunidade, dentro e fora da igreja, no micro e no macro. Assim o Verbo encarna no cotidiano e o fermento do Reino transforma a realidade de perto e a de longe. É desta maneira que somos chamados a viver o espírito da Reforma, algo hoje tão necessário.

Valdir Steuernagel e Marcell Steuernagel
Fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/reforma-em-movimento

O que nos torna humanos

Henry Nouwen foi um sacerdote católico, de origem holandesa. Ensinou nas Universidades de Harvard e de Yale, escreveu 40 livros, publicados em 20 idiomas, com mais de 20 milhões de cópias vendidas. Mas seu maior legado foi deixado pelo seu trabalho na comunidade Daybreak, nos arredores de Toronto, no Canadá, onde Nouwen desenvolveu suas atividades pastorais por oito anos.
De acordo com seus relatos, a coisa mais importante que Nouwen fazia na Daybreak era cuidar de Adam.
“Adam é um homem de 25 anos de idade, disse Nouwen, que não consegue falar, não consegue vestir-se, nem tirar a roupa, não pode andar sozinho, não pode comer sem ajuda. Ele não chora nem ri. Apenas às vezes faz contato com os olhos. As costas são deformadas. Os movimentos dos braços e das pernas são distorcidos. Ele sofre de severa epilepsia e, apesar de pesada medicação, raros dias se passam sem ataques do grande mal. Às vezes, quando fica subitamente rígido, emite um gemido imenso. Em algumas ocasiões já vi uma grande lágrima rolar por sua face. Levo cerca de hora e meia para acordar Adam, dar-lhe medicação, carregá-lo até ao seu banho, lavá-lo, barbeá-lo, escovar seus dentes, levá-lo à cozinha, dar-lhe o café da manhã, colocá-lo na sua cadeira de rodas e levá-lo até ao lugar onde passa a maior parte do dia com exercícios terapêuticos”.
Philip Yancey, jornalista e escritor, conta que jamais esqueceu o dia em que acompanhou a rotina de Nouwen na Daybreak. Seu relato começa com uma confissão corajosa. Devo admitir que tive uma dúvida passageira quanto a ser aquele o melhor emprego da sua vida, diz Yancey. Eu ouvira Henri Nouwen falar e lera muitos dos seus livros. Ele tinha muita coisa a oferecer. Outra pessoa não poderia assumir a tarefa servil de cuidar de Adam?”.
Quando cautelosamente mencionei o assunto com o próprio Nouwen, diz Yancey, ele me informou que eu interpretara de todo erradamente o que estava acontecendo. Veja como Nouwen encarava seu relacionamento com Adam.
“Não estou desistindo de nada. Sou eu, não o Adam, quem recebe os principais benefícios de nossa amizade. As horas passadas com Adam deram-me uma paz interior tão satisfatória que fez com que a maioria de suas outras tarefas intelectuais parecessem enfadonhas e superficiais por contraste. No começo, quando me assentava com esse homem-criança desamparado, percebia como a busca do sucesso na academia e no ministério cristão era obsessiva e marcada pela rivalidade e pela competição. Adam me ensinou que o que nos torna humanos não está na nossa mente, mas no nosso coração, não é a nossa capacidade de pensar, mas a nossa capacidade de amar“.


Por Ed René Kivitz 

Criança

Há um momento de ser criança e outro de não ser como criança. Jesus certa vez disse: “Quem não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele”. (Mc.10:15). Por outro lado, Paulo, o apóstolo, escreveu: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino”. (I Co.13:11)
Então, ser criança ou não ser? Quem está certo, Jesus ou Paulo? É claro que ambos, pois falaram sob perspectivas diferentes.
Começando por Paulo, devemos lembrar que ele estava falando com uma igreja imatura na fé: “Eu, porém irmãos, não vos pude falar como a espirituais; e, sim, como a carnais, como a crianças em Cristo. Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo...”. (I Co.3:1,2). E essa imaturidade espiritual se refletia nas práticas e nos relacionamentos dos membros da igreja de Corinto, pois, além de questionarem a autoridade de Paulo, entre eles acontecia uma deturpação na celebração da santa ceia, havia casos de promiscuidade sexual e brigas feias.
Com respeito a Jesus, ao afirmar que o reino de Deus deve ser recebido como uma  criança, ele está se referindo à simplicidade, à confiança, à sinceridade próprias das crianças. Ninguém que seja muito sofisticado, desconfiado e falso pode entender ou reconhecer a necessidade de ter Deus em primeiro lugar em sua vida. Nesse sentido é fundamental ser como uma criança. Por isso, inclusive, Jesus já havia dito, no mesmo texto de Marcos o seguinte: “Deixai vis a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus”. (Mc.10:14)
Portanto, os adultos não devem ser crianças quanto à maturidade, mas precisam ser crianças quanto à autenticidade.
Que Deus continue abençoando nossas crianças e que nós saibamos cuidar delas muito bem, de todas elas.
Rev. Joel Vieira da Silva